
A visita de Mahmoud Ahmadinejad ao Brasil causou mais repercussão do que eu imaginava. Não porque foi a visita ao país de um líder ultraconservador de uma república muçulmana, mas pela agressividade da mídia em relação à visita do presidente do Irã. Pareceu que o Brasil tinha declarado guerra ao mundo junto ao novo "eixo do mal" que agora inclui até Zelaya juntamente com Chavez, Mahmoud e Kim Jong-il. Dos EUA até a Inglaterra, Lula foi criticado por receber em Brasília o presidente iraniano. Mas por quê tanta hostilidade a um encontro diplomático? Como sabemos, o Irã é um país politicamente conservador. Não é mentira que há uma verdadeira perseguição política e religiosa dentro do país, indo desde opositores do governo até crentes bahá'ís. O governo do Irã vive um período de tensão interna e externa que vem de décadas, cujos aliceres estão consolidados desde motivos políticos até a influência da cultura muçulmana no país. República Islâmica do Irã. Esse termo, uma denominação política do sistema social vivido no país, representa não só um território de uma parte do mundo, assim como a ideologia de uma sociedade. Mas o que esse polêmico país tem haver com a política dos EUA, da Venezuela e do Brasil?
Antes de tudo, devemos ter em mente que há 30 anos ocorria um fato que repercutiria até hoje no mundo ocidental: A Revolução Iraniana. Muitas vezes colocada como um retrocesso ao país, a reforma política implementada pelo Aiatolá Ruhollah Khomeini foi uma tentativa de barrar o devastador imperalismo americano que estava de olho na produção petroleira do Oriente Médio. Com isso, os EUA não só desejavam o petróleo Iraniano e de seus países vizinhos como também implementar uma transformação cultural para concretizar esse desejo. A ideia inicial era blindar tanto o Irã como o Oriente Médio para evitar não só a exploração americana como também uma deformação da milenar cultura muçulmana na região. De fato, a ideia era louvável, entretanto o movimento tomou proporções trágicas com o início da guerra Irã x Iraque, uma vez que planejando infiltrar-se em terreno petroleiro, a ideia era dividir o terreno inimigo entre eles próprios. Na época o então presidente americano era seu Ronald Reagan, que já colocava em prática o projeto da implantação do neoliberalismo no mundo com o domínio de territórios produtores de petróleo. A ambição em garantir o monopólio das empresas petroleiras ocidentais era tanto que mais tarde na guerra do Kuwait, o atacado seria o Iraque, antes financiado pelos EUA para conquistar o território iraniano.
A razão do Irã ter se tornado um país politicamente conservador vem do fato de ao verem a cultura islâmica ameaçada pela investida dos EUA para ocidentalizar o país, que na época da Revolução possuía um regime monárquico pró-ocidente liderado pelo Xá Reza Pahlavi, os líderes muçulmanos passaram cada vez mais a interferir na política como uma forma de evitar uma perda da cultura muçulmana, tão enraizada no país. Com a Guerra, foi criado um conselho de líderes religiosos, estes, os verdadeiros governantes do país, que viram na religião Islâmica, uma maneira de guiar a sociedade, que na época via-se tão acuada diante das investidas americanas. Com isso, criou-se uma cultura baseada na valorização dos princípios islâmicos. Com essa tentativa de proteger a cultura nacional, criou-se um clima de hostilidade à cultura estrangeira tanto dentro quanto fora do Irã. Desse modo com esse clima de tensão cultural e política, qualquer cultura não-islâmica passou a ser combatida pelo governo. Desse modo, baháís, cristãos e judeus passaram a ser reprimidos no campo religioso. Homossexuais e outros grupos tidos como contrários ao sistema social muçulmano passaram a ser perseguidos na sociedade. E opositores políticos passaram a ser perseguidos pelo o governo que desde a época da Revolução passou a viver acoado com o temor do país perder sua identidade com uma deformação do modo de viver iraniano. Assim, no campo internacional, vários países ocidentais ditos "democráticos" passam a executar uma contra-campanha às atitudes internas e externas do Irã de modo a criar uma imagem deturpada da realidade, onde o opressor é o Irã e países de cultura islâmica em geral.
Essa atitude cria uma situação muito delicada, pois desde os ataques do 11 de Setembro, as nações muçulmanas assim como a cultura islâmica vêm sendo utilizadas como o bode expiatório da vez, sendo elas as responsáveis pelos conflitos ao redor do mundo. Em contrapartida, temos a omissão por parte da sociedade ocidental dos inúmeros crimes cometidos não só pelos EUA, mas pela OTAN e aliados desde a guerra do Irã x Iraque, a ponto de criar um estado de tensão tão grande nos países do Oriente Médio, que até hoje eles estão em clima de guerra civil. Clima esse que continua pelo simples fato dos EUA ainda não terem conseguido atingir seu fim: dominar o petróleo mundial. Essa incalculável busca de recursos econômicos é tão grande que é notável a divisão no Oriente Médio. Países como os Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Barein e tantos outros são a porta de entrada das potências ocidentais no Oriente Médio. Curiosamente todos são governados por sistemas monárquicos, assim como o Irã na época da Revolução. Isso nos mostra algo muito interessante. Sendo uma monarquia, a autoridade executiva e legislativa fica totalmente concentrada nas mãos do monarca, de modo que a possibilidade de uma intervenção estrangeira no país torna-se muito mais fácil quando um parlamento não tem poder sobre as decisões internas. Desse modo fica muito mais fácil os países ocidentais fazerem acordos com esses países do Oriente Médio. E é justamente essa a ideia dos EUA, que ao vulnerabilizar a autonomia desses países, as negociações tornam-se uma mera reunião entre empresários e os representantes desses países, tornando-se uma troca de favores onde uma mão lavará a outra. Com isso, esses países viram a imagem cuspida do ocidente com seu alto desenvolvimento social, e com isso contribuindo para que eles tornem-se "modelos" de desenvolvimento para os demais da região. Por isso esses países parecem uma ilha européia, pois com acordos com os países ocidentais, eles tornam-se verdadeiros balneários para a elite mundial fazer o que bem quiser com o dinheiro vindo do petróleo deles. Com isso, esses países crescem economicamente por meio do investimento ocidental assim como se tornam a ponte para o maior terreno petroleiro do mundo tão invejado pelos EUA: O Irã.
E como vemos, justamente por querer dominar o petróleo mundial, qualquer país que não coopere para esse neo-imperialismo americano é taxado de "inimigo do mundo", como aconteceu com o Irã, Venezuela e tantos outros. Com isso, unimos todos esses fatos para culminarmos nos dias atuais. A razão de toda essa repercussão negativa da visita de Ahmadinejad ao Brasil, deve-se primeiramente ao fato do Brasil estar tendo muita aproximação com países ditos do novo "eixo do mal" como a Venezuela, esta, grande produtora petroleira, que ao ver-se encurralada pelos EUA, com o desejo de conquistar o seu petróleo, passou a criar uma forte oposição na América Latina ao neo-imperalismo americano juntamente com Bolívia e Equador. Curiosamente, após uma onda de presidentes neo-liberais como seu Pinochet, FHC, Menem e tantos outros, a ponto desses países sofrerem fortes crises econômicas devido à implantação da doutrina neo-liberal, hoje, temos uma inversão no espectro político latino-americano, onde em suma, os presidentes são mais voltados para uma Economia de Estado. Atualmente essa política latino-americana tem como protagonistas Hugo Chavez, Evo Morales, Rafael Correa e Lula. Unindo tudo isso com uma maior aproximação desses países com os ditos "inimigos dos EUA" como Irã e Coreia do Norte, faz com que crie-se um clima de tensão na América Latina como vimos ultimamente com o golpe em Honduras.
Com isso, as potências ocidentais vendo-se acoadas com a mudança dos planos econômicos projetados para os anos futuros por países em ascensão, passam a tomar medidas radicais a ponto de mobilizarem uma campanha mundial contra esses Estados, indo desde críticas políticas até invasões e golpes. Assim, vendo o Brasil cada vez mais tornando-se economicamente independente somando isso com a maior aproximação de países que blindam-se contra essa investida imperialista, o Brasil passa de aliado à inimigo dos países ocidentais. Por isso temos essa repercussão tão negativa na mídia ocidental, mídia essa que é controlada pelos mesmos. Se no Irã há um governo tão repressor como a mídia ocidental nos mostra, esse é tão lamentável quanto a repressão oculta que os países ocidentais praticam, pois se o Irã persegue seus cidadãos, as potências ocidentais perseguem qualquer cidadão do mundo que for contra o sistema planejado por eles. Com isso temos vários conflitos ao redor do mundo, esses, proporcionados pelo desejo desses países de obterem lucro por meio do controle do mercado do petróleo. Todo mundo fala dos ataques "terroristas" por homens bombas, mas ninguém fala dos crimes americanos cometidos nesses países. É muito fácil acusar um país do Oriente Médio de inimigo do mundo, ainda mais quando se usa a religião como fator de manipulação, uma vez que em toda notícia de ataque terrorista, friza-se a afirmação do grupo como islâmico, entretanto não como um fato político, mas religioso. Desse modo, a sociedade ocidental, tendo o Cristianismo enraizado em todos os pontos da mesma, incluindo a política, passa a combater não só a cultura islâmica, mas também a sociedade islâmica, de modo que a guerra passa a ser justificada não mais com uma razão política, mas também religiosa, como foi feito nos EUA durante a invasão do Afeganistão. Uma "guerra contra o terror" que apenas vemos na mídia, que sendo controlada descaradamente pelos países ocidentais, só mostrará um lado da moeda. Assim, as potências ocidentais se mascaram de Estados Democráticos quando na verdade, são elas que estão por trás dos conflitos do mundo.
Com isso chegamos ao questionamento: Finalmente, o que é Democracia? Porque, se engolirmos o conceito americano de Democracia, temos uma bela conclusão: Democracia é política que está de acordo com a nossa. Desse modo, a Venezuela não seria politicamente um país democrático, Honduras não seria um país democrático, e a partir do momento em que o Brasil não compactuasse com as políticas propostas pelos EUA, também não seria um país democrático. Sobre a questão da Venezuela, devemos lembrar que todo o processo de eleição de Hugo Chavez assim como a modificação da constituição no fim da década de 90 foi feito totalmente segundo os processos legais, obedecendo todas as diretrizes da Constituição, assim como Zelaya em Honduras (para mais informações ler o texto do blog sobre Zelaya). Entretanto ninguém se lembra que em 2002 os EUA, com o então presidente George Bush, tentou dar um golpe na Venezuela para destituir Hugo Chavez e assim assumir o controle das jazidas de petróleo do país. Curiosamente, nessa época, os EUA encabeçavam uma campanha contra países também petroleiros como o Iraque, que com a invasão e ocupação do território afegão, chegaria facilmente ao Irã. Enfim, o que conhecemos como "democracia", nada mais é do que um engodo definido pelos EUA para ele próprio dizer quem está ou não com ele, e assim reforçar sua campanha contra esses países "inimigos" por meio dessa ideia de liberdade pela democracia. Assim, qualquer país que vá contra a "liberdade" proposta pelos EUA será considerado antidemocrático, e qualquer país que tenha relações com eles, também será considerado aliado desses países antidemocráticos.
Aí entra o Brasil, que nessa semana recebeu o presidente do Irã, um país que eu particularmente não considero democrático, mas como foi visto, existe uma "razão" para essa situação. Entretanto para a comunidade internacional, esse ato diplomático do Brasil representou um rompimento da tradição democrática do país, de modo que em apenas alguns dias, o Brasil transformou-se de um exemplo de política internacional em um "traidor da democracia". Agora eu pergunto: O fato do Brasil criar relações com países ditos antidemocráticos o torna compactuante da política feita nesses países? O mais absurdo nisso é que essas potências que se dizem democráticas querem definir com quem outros países farão acordos. Isso é que é ser antidemocrático. É querer intervir na política internacional como único mediador legítimo, definindo ao seu bel prazer as relações entre as nações. Desse modo, os EUA assim como todos os outros países que criticaram esse encontro no Brasil, mostram sua face oculta. Face essa que revela a violação da soberania dos países do mundo, tornando-se verdadeiros ditadores da política internacional. E justamente por receber o presidente do Irã e querer estabelecer relações segundo os princípios da diplomacia, cada vez mais eu afirmo que o Brasil é um país democrático por excelência. Ao abrir os portões do Itamaraty à Ahmadinejad, o Brasil firma seu papel num campo tão instável como o da atual política internacional. Independente do passado ou dos atos de um país, a essência da democracia está na eterna tentativa de reconhecer a soberania do outro país enquanto sociedade organizada. O acordo firmado entre o Irã e o Brasil não foi pautado para o Brasil compactuar com a política pregada pelo conselho islâmico do Irã, e sim para contribuir para com as relações entre dois países, ambos formados por povos que desejam conviver em paz.
Devemos ter em mente que não é culpa de um povo se seu governo adota medidas totalitárias. Desse modo não devemos colocar a culpa no povo iraniano pelas perseguições e posicionamentos totalitários tomados dentro e fora daquele país, assim como não podemos culpar os americanos pelas guerras no Oriente Médio. Entretanto não podemos nos calar diante dessas atitudes absurdas tomadas por esses e quaisquer países, uma vez que os responsáveis por tudo isso, antes de tudo são as grandes corporações que por interesses econômicos criam guerras, dividem países, e semeiam a discórdia sob o nome da democracia, palavra essa tão deturparda da sua verdadeira essência. A essência da democracia é a existência de vários ideais sob o princípio da coexistência entre eles. Desse modo, o mais importante é a convivência pacífica com qualquer país independente de suas práticas. O fim da diplomacia está na solução desses conflitos onde a melhor saída sempre será o diálogo. Com isso, reafirmo que o Brasil cumpre com o seu papel na política internacional, pois cumpre com todos os parâmetros de um Estado Democrático de Direito, onde a Lei de Ouro da política internacional consiste em dar continuidade nas relações com outros países e com isso, servir de mediador na política internacional para cada vez mais evitar conflitos desnecessários.
Por isso é obrigação do Brasil construir e manter sua atuação no campo diplomático mundial, pois somente com essa política de diálogo, o país pode continuar a ser uma nação onde muçulmanos e judeus convivem em paz. Onde diferentes grupos sociais convivem entre si. Com isso, o Brasil torna-se um fator essencial na construção de uma política internacional sólida a fim de evitar possíveis conflitos no futuro, conflitos esses oriundos de interesses de grandes corporações que no desejo de lucrarem cada vez mais, passam a dominar territórios por meio do imperialismo exercido pelas potências mundiais. Com isso, é necessário que cada vez mais o Brasil se torne independente para não ceder às pressões dessas potências e assim não se tornar coautor desses jogos de interesses, de modo que com essa independência, o Brasil também se torne um protagonista da construção de um mundo cada vez mais livre dos grilões imperialistas e assim poder criar uma sociedade democrática cada vez mais centrada no direito da pluralidade.
Antes de tudo, devemos ter em mente que há 30 anos ocorria um fato que repercutiria até hoje no mundo ocidental: A Revolução Iraniana. Muitas vezes colocada como um retrocesso ao país, a reforma política implementada pelo Aiatolá Ruhollah Khomeini foi uma tentativa de barrar o devastador imperalismo americano que estava de olho na produção petroleira do Oriente Médio. Com isso, os EUA não só desejavam o petróleo Iraniano e de seus países vizinhos como também implementar uma transformação cultural para concretizar esse desejo. A ideia inicial era blindar tanto o Irã como o Oriente Médio para evitar não só a exploração americana como também uma deformação da milenar cultura muçulmana na região. De fato, a ideia era louvável, entretanto o movimento tomou proporções trágicas com o início da guerra Irã x Iraque, uma vez que planejando infiltrar-se em terreno petroleiro, a ideia era dividir o terreno inimigo entre eles próprios. Na época o então presidente americano era seu Ronald Reagan, que já colocava em prática o projeto da implantação do neoliberalismo no mundo com o domínio de territórios produtores de petróleo. A ambição em garantir o monopólio das empresas petroleiras ocidentais era tanto que mais tarde na guerra do Kuwait, o atacado seria o Iraque, antes financiado pelos EUA para conquistar o território iraniano.
A razão do Irã ter se tornado um país politicamente conservador vem do fato de ao verem a cultura islâmica ameaçada pela investida dos EUA para ocidentalizar o país, que na época da Revolução possuía um regime monárquico pró-ocidente liderado pelo Xá Reza Pahlavi, os líderes muçulmanos passaram cada vez mais a interferir na política como uma forma de evitar uma perda da cultura muçulmana, tão enraizada no país. Com a Guerra, foi criado um conselho de líderes religiosos, estes, os verdadeiros governantes do país, que viram na religião Islâmica, uma maneira de guiar a sociedade, que na época via-se tão acuada diante das investidas americanas. Com isso, criou-se uma cultura baseada na valorização dos princípios islâmicos. Com essa tentativa de proteger a cultura nacional, criou-se um clima de hostilidade à cultura estrangeira tanto dentro quanto fora do Irã. Desse modo com esse clima de tensão cultural e política, qualquer cultura não-islâmica passou a ser combatida pelo governo. Desse modo, baháís, cristãos e judeus passaram a ser reprimidos no campo religioso. Homossexuais e outros grupos tidos como contrários ao sistema social muçulmano passaram a ser perseguidos na sociedade. E opositores políticos passaram a ser perseguidos pelo o governo que desde a época da Revolução passou a viver acoado com o temor do país perder sua identidade com uma deformação do modo de viver iraniano. Assim, no campo internacional, vários países ocidentais ditos "democráticos" passam a executar uma contra-campanha às atitudes internas e externas do Irã de modo a criar uma imagem deturpada da realidade, onde o opressor é o Irã e países de cultura islâmica em geral.
Essa atitude cria uma situação muito delicada, pois desde os ataques do 11 de Setembro, as nações muçulmanas assim como a cultura islâmica vêm sendo utilizadas como o bode expiatório da vez, sendo elas as responsáveis pelos conflitos ao redor do mundo. Em contrapartida, temos a omissão por parte da sociedade ocidental dos inúmeros crimes cometidos não só pelos EUA, mas pela OTAN e aliados desde a guerra do Irã x Iraque, a ponto de criar um estado de tensão tão grande nos países do Oriente Médio, que até hoje eles estão em clima de guerra civil. Clima esse que continua pelo simples fato dos EUA ainda não terem conseguido atingir seu fim: dominar o petróleo mundial. Essa incalculável busca de recursos econômicos é tão grande que é notável a divisão no Oriente Médio. Países como os Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Barein e tantos outros são a porta de entrada das potências ocidentais no Oriente Médio. Curiosamente todos são governados por sistemas monárquicos, assim como o Irã na época da Revolução. Isso nos mostra algo muito interessante. Sendo uma monarquia, a autoridade executiva e legislativa fica totalmente concentrada nas mãos do monarca, de modo que a possibilidade de uma intervenção estrangeira no país torna-se muito mais fácil quando um parlamento não tem poder sobre as decisões internas. Desse modo fica muito mais fácil os países ocidentais fazerem acordos com esses países do Oriente Médio. E é justamente essa a ideia dos EUA, que ao vulnerabilizar a autonomia desses países, as negociações tornam-se uma mera reunião entre empresários e os representantes desses países, tornando-se uma troca de favores onde uma mão lavará a outra. Com isso, esses países viram a imagem cuspida do ocidente com seu alto desenvolvimento social, e com isso contribuindo para que eles tornem-se "modelos" de desenvolvimento para os demais da região. Por isso esses países parecem uma ilha européia, pois com acordos com os países ocidentais, eles tornam-se verdadeiros balneários para a elite mundial fazer o que bem quiser com o dinheiro vindo do petróleo deles. Com isso, esses países crescem economicamente por meio do investimento ocidental assim como se tornam a ponte para o maior terreno petroleiro do mundo tão invejado pelos EUA: O Irã.
E como vemos, justamente por querer dominar o petróleo mundial, qualquer país que não coopere para esse neo-imperialismo americano é taxado de "inimigo do mundo", como aconteceu com o Irã, Venezuela e tantos outros. Com isso, unimos todos esses fatos para culminarmos nos dias atuais. A razão de toda essa repercussão negativa da visita de Ahmadinejad ao Brasil, deve-se primeiramente ao fato do Brasil estar tendo muita aproximação com países ditos do novo "eixo do mal" como a Venezuela, esta, grande produtora petroleira, que ao ver-se encurralada pelos EUA, com o desejo de conquistar o seu petróleo, passou a criar uma forte oposição na América Latina ao neo-imperalismo americano juntamente com Bolívia e Equador. Curiosamente, após uma onda de presidentes neo-liberais como seu Pinochet, FHC, Menem e tantos outros, a ponto desses países sofrerem fortes crises econômicas devido à implantação da doutrina neo-liberal, hoje, temos uma inversão no espectro político latino-americano, onde em suma, os presidentes são mais voltados para uma Economia de Estado. Atualmente essa política latino-americana tem como protagonistas Hugo Chavez, Evo Morales, Rafael Correa e Lula. Unindo tudo isso com uma maior aproximação desses países com os ditos "inimigos dos EUA" como Irã e Coreia do Norte, faz com que crie-se um clima de tensão na América Latina como vimos ultimamente com o golpe em Honduras.
Com isso, as potências ocidentais vendo-se acoadas com a mudança dos planos econômicos projetados para os anos futuros por países em ascensão, passam a tomar medidas radicais a ponto de mobilizarem uma campanha mundial contra esses Estados, indo desde críticas políticas até invasões e golpes. Assim, vendo o Brasil cada vez mais tornando-se economicamente independente somando isso com a maior aproximação de países que blindam-se contra essa investida imperialista, o Brasil passa de aliado à inimigo dos países ocidentais. Por isso temos essa repercussão tão negativa na mídia ocidental, mídia essa que é controlada pelos mesmos. Se no Irã há um governo tão repressor como a mídia ocidental nos mostra, esse é tão lamentável quanto a repressão oculta que os países ocidentais praticam, pois se o Irã persegue seus cidadãos, as potências ocidentais perseguem qualquer cidadão do mundo que for contra o sistema planejado por eles. Com isso temos vários conflitos ao redor do mundo, esses, proporcionados pelo desejo desses países de obterem lucro por meio do controle do mercado do petróleo. Todo mundo fala dos ataques "terroristas" por homens bombas, mas ninguém fala dos crimes americanos cometidos nesses países. É muito fácil acusar um país do Oriente Médio de inimigo do mundo, ainda mais quando se usa a religião como fator de manipulação, uma vez que em toda notícia de ataque terrorista, friza-se a afirmação do grupo como islâmico, entretanto não como um fato político, mas religioso. Desse modo, a sociedade ocidental, tendo o Cristianismo enraizado em todos os pontos da mesma, incluindo a política, passa a combater não só a cultura islâmica, mas também a sociedade islâmica, de modo que a guerra passa a ser justificada não mais com uma razão política, mas também religiosa, como foi feito nos EUA durante a invasão do Afeganistão. Uma "guerra contra o terror" que apenas vemos na mídia, que sendo controlada descaradamente pelos países ocidentais, só mostrará um lado da moeda. Assim, as potências ocidentais se mascaram de Estados Democráticos quando na verdade, são elas que estão por trás dos conflitos do mundo.
Com isso chegamos ao questionamento: Finalmente, o que é Democracia? Porque, se engolirmos o conceito americano de Democracia, temos uma bela conclusão: Democracia é política que está de acordo com a nossa. Desse modo, a Venezuela não seria politicamente um país democrático, Honduras não seria um país democrático, e a partir do momento em que o Brasil não compactuasse com as políticas propostas pelos EUA, também não seria um país democrático. Sobre a questão da Venezuela, devemos lembrar que todo o processo de eleição de Hugo Chavez assim como a modificação da constituição no fim da década de 90 foi feito totalmente segundo os processos legais, obedecendo todas as diretrizes da Constituição, assim como Zelaya em Honduras (para mais informações ler o texto do blog sobre Zelaya). Entretanto ninguém se lembra que em 2002 os EUA, com o então presidente George Bush, tentou dar um golpe na Venezuela para destituir Hugo Chavez e assim assumir o controle das jazidas de petróleo do país. Curiosamente, nessa época, os EUA encabeçavam uma campanha contra países também petroleiros como o Iraque, que com a invasão e ocupação do território afegão, chegaria facilmente ao Irã. Enfim, o que conhecemos como "democracia", nada mais é do que um engodo definido pelos EUA para ele próprio dizer quem está ou não com ele, e assim reforçar sua campanha contra esses países "inimigos" por meio dessa ideia de liberdade pela democracia. Assim, qualquer país que vá contra a "liberdade" proposta pelos EUA será considerado antidemocrático, e qualquer país que tenha relações com eles, também será considerado aliado desses países antidemocráticos.
Aí entra o Brasil, que nessa semana recebeu o presidente do Irã, um país que eu particularmente não considero democrático, mas como foi visto, existe uma "razão" para essa situação. Entretanto para a comunidade internacional, esse ato diplomático do Brasil representou um rompimento da tradição democrática do país, de modo que em apenas alguns dias, o Brasil transformou-se de um exemplo de política internacional em um "traidor da democracia". Agora eu pergunto: O fato do Brasil criar relações com países ditos antidemocráticos o torna compactuante da política feita nesses países? O mais absurdo nisso é que essas potências que se dizem democráticas querem definir com quem outros países farão acordos. Isso é que é ser antidemocrático. É querer intervir na política internacional como único mediador legítimo, definindo ao seu bel prazer as relações entre as nações. Desse modo, os EUA assim como todos os outros países que criticaram esse encontro no Brasil, mostram sua face oculta. Face essa que revela a violação da soberania dos países do mundo, tornando-se verdadeiros ditadores da política internacional. E justamente por receber o presidente do Irã e querer estabelecer relações segundo os princípios da diplomacia, cada vez mais eu afirmo que o Brasil é um país democrático por excelência. Ao abrir os portões do Itamaraty à Ahmadinejad, o Brasil firma seu papel num campo tão instável como o da atual política internacional. Independente do passado ou dos atos de um país, a essência da democracia está na eterna tentativa de reconhecer a soberania do outro país enquanto sociedade organizada. O acordo firmado entre o Irã e o Brasil não foi pautado para o Brasil compactuar com a política pregada pelo conselho islâmico do Irã, e sim para contribuir para com as relações entre dois países, ambos formados por povos que desejam conviver em paz.
Devemos ter em mente que não é culpa de um povo se seu governo adota medidas totalitárias. Desse modo não devemos colocar a culpa no povo iraniano pelas perseguições e posicionamentos totalitários tomados dentro e fora daquele país, assim como não podemos culpar os americanos pelas guerras no Oriente Médio. Entretanto não podemos nos calar diante dessas atitudes absurdas tomadas por esses e quaisquer países, uma vez que os responsáveis por tudo isso, antes de tudo são as grandes corporações que por interesses econômicos criam guerras, dividem países, e semeiam a discórdia sob o nome da democracia, palavra essa tão deturparda da sua verdadeira essência. A essência da democracia é a existência de vários ideais sob o princípio da coexistência entre eles. Desse modo, o mais importante é a convivência pacífica com qualquer país independente de suas práticas. O fim da diplomacia está na solução desses conflitos onde a melhor saída sempre será o diálogo. Com isso, reafirmo que o Brasil cumpre com o seu papel na política internacional, pois cumpre com todos os parâmetros de um Estado Democrático de Direito, onde a Lei de Ouro da política internacional consiste em dar continuidade nas relações com outros países e com isso, servir de mediador na política internacional para cada vez mais evitar conflitos desnecessários.
Por isso é obrigação do Brasil construir e manter sua atuação no campo diplomático mundial, pois somente com essa política de diálogo, o país pode continuar a ser uma nação onde muçulmanos e judeus convivem em paz. Onde diferentes grupos sociais convivem entre si. Com isso, o Brasil torna-se um fator essencial na construção de uma política internacional sólida a fim de evitar possíveis conflitos no futuro, conflitos esses oriundos de interesses de grandes corporações que no desejo de lucrarem cada vez mais, passam a dominar territórios por meio do imperialismo exercido pelas potências mundiais. Com isso, é necessário que cada vez mais o Brasil se torne independente para não ceder às pressões dessas potências e assim não se tornar coautor desses jogos de interesses, de modo que com essa independência, o Brasil também se torne um protagonista da construção de um mundo cada vez mais livre dos grilões imperialistas e assim poder criar uma sociedade democrática cada vez mais centrada no direito da pluralidade.




